Estaremos condenados por limitações impostas pelo mundo, alheias ao nosso poder de escolha?
A história de Ubirajara Gomes da Silva, noticiada pelo portal de notícias G1, prova que não: temos sempre a escolha de nos tornarmos aquilo que desejamos ser.
Morador de rua entre os 15 e os 27 anos, Ubirajara conseguiu um feito notável para alguém que costuma ser visto como um excluído da sociedade: passou em um concurso público para o Banco do Brasil e ontem começou a trabalhar como escriturário no Centro de Serviços e Operações.
Para ter uma clara noção desde feito, saiba que:
- O concurso teve 19.000 candidatos inscritos
- Havia apenas 171 vagas para o cargo
- Ubirajara foi o 136º colocado
- Das 150 questões da prova, acertou 116
Agora, como é que uma pessoa que viveu quase metade de sua vida, desde a adolescência, nas ruas; que sobrevivia com R$2,00 ao dia; que passou fome e chegou a ficar 30 dias sem comer e 15 dias sem tomar banho, conseguiu o que tantos que têm acesso à educação, uma vida livre de grandes dificuldades financeiras e uma família estruturada não conseguem?
Lendo as notícias sobre o seu caso, me parece que o segredo do seu sucesso são quatro fatores agindo em conjunto:
- Fé – Ubirajara nunca perdeu a esperança de um dia ter uma vida melhor, nunca acreditou que sua vida estava condenada. Não se resignou. “Eu sempre tive fé. Sempre achei que alguma coisa aconteceria, mas não tudo isso”.
- Visão voltada para a solução, não para o problema – sabia que deveria haver uma solução para a sua situação e que esta situação era o estudo. “Era minha única saída, porque sabia que não tinha condição nenhuma para outros tipos de trabalho. Então eu disse: ‘tenho que estudar’”
- Uso dos recursos disponíveis, mesmo que limitados – não ter acesso ao estudo formal foi um obstáculo, mas não um empecilho. Tornou-se autodidata, freqüentando a Biblioteca Municipal de sua cidade, aonde lia livros e acessava a Internet.
- Disposição para os sacrifícios necessários – com uma meta clara em mente, fez as escolhas que eram precisas para atingi-las, ainda que fossem dolorosas. Muitas vezes, deixou de comer para usar seu pouco dinheiro para pagar o acesso à Internet. “Eu escolho entre comer ou acessar a Internet.”
Agora, Ubirajara passará a ganhar um salário de pouco mais de R$900,00, mais gratificações, além de ter a oportunidade de participar de processos seletivos internos do Banco do Brasil para futuras promoções. Suas perspectivas, que antes eram tão pequenas, hoje se ampliaram imensamente.
Podemos tirar muitos aprendizados desta história. Os fatores que o possibilitaram mudar de vida podem ser aplicados a vida de qualquer um de nós. Se pensarmos em nossas próprias histórias de vida, vamos constatar que em inúmeros momentos:
- Entregamos os pontos diante de situações que poderiam ser superadas com um pouco mais de empenho e vontade;
- Ficamos tão excessivamente envolvidos com o problema que fomos incapazes de olhar para a solução;
- Subutilizamos os recursos que tínhamos à nossa disposição, tanto os pagos quanto os gratuitos (quantos de nós realmente utilizamos tudo o que uma biblioteca pública tem a oferecer?)
- Não fizemos os sacrifícios exigidos para o cumprimento de uma meta, para nos agarrarmos a um luxo, conforto ou conveniência.
Isso me faz pensar: aonde eu poderia estar hoje se sempre tivesse aplicado estes princípios na minha vida? Aonde você estaria? Podemos até não estar em má situação (eu não estou e espero que você também não!), mas tenho certeza de que a imensa maioria de nós poderia ter realizado muito mais do seu potencial do que o fez até o momento.
Acho que o grande aprendizado que nos fica aqui é que são os nossos próprios recursos internos que definem a nossa vida, as nossas conquistas e realizações. A superação de Ubirajara prova essa premissa sem deixar espaço para dúvidas.
O que também me chamou a atenção nesta história, foi o papel da Internet na sua superação. Foi através da www que ele soube do concurso, que arrumou material de estudo, além de trocar informações com outros candidatos. Sem o poder de difusão da informação que a rede mundial de computadores proporciona talvez Ubirajara nunca tivesse saído das ruas.
Não é fascinante?


