Morre Osama Bin Laden, líder da al Qaeda

Morre Osama Bin Laden, líder da al Qaeda

by Gabriel Mallet Meissner on 2 de Maio de 2011

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O que parecia que não ia mais acontecer, finalmente aconteceu. Ontem, dia 01 de maio de 2011, após 10 anos de buscas, o terrorista Osama bin Laden foi encontrado e morto pelas forças armadas americanas no Paquistão, na cidade de Abbotabad. O corpo, que serve de prova da execução, está em posse dos Estados Unidos. A notícia foi dada pela rede de televisão americana CNN e confirmada por um pronunciamento oficial do presidente Barack Obama. Segundo Obama “a justiça foi feita.” O presidente afirmou ainda que “os Estados Unidos conduziram a operação que matou Osama bin Laden, o líder da al Qaeda e o terrorista responsável pela morte de milhares de homens, mulheres e crianças.” Conseguiu, enfim, fazer o que George W. Bush havia prometido em 2001, após o ataque do 11 de setembro.

Os atentados liderados por Osama bin Laden

O atentado mais conhecido liderado por bin Laden foi o de 11 de setembro de 2001, quando dois aviões raptados por homens-bomba atingiram e destruíram as Torres Gêmeas, em Nova Iorque, e um terceiro avião atingiu o Pentágono, em Washington. O atentado matou aproximadamente 3.000 pessoas.

Mas este não foi o seu único ato de terrorismo contra os Estados Unidos. Antes disso, ele já constava da lista de fugitivos mais procurados pelo FBI por outros atentados.

Em outubro de 1993, liderou um tiroteio contra soldados americanos na Somália. Em agosto de 1998, o bombardeamento de duas embaixadas americanas na no Quênia e na Tanzânia. E em outubro de 200 um ataque ao navio de guerra USS Cole, em que 17 marinheiros foram mortos.

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, Osama bin Laden desapareceu ao conseguir escapar do exército americano e das milícias afegãs nas montanhas de Tora Bora, no Afeganistão. Desde então vinha defendendo sua visão extremista do Islã através de vídeos divulgados esporadicamente. Tornou-se então o homem mais procurado do mundo e a recompensa pela sua cabeça era de US$ 25 milhões.

A história de Osama bin Laden e da al Qaeda

Nascido na Arábia Saudida, bin Laden foi o décimo-sétimo de 52 filhos de Mohamed bin Laden, um bilionário nativo do Iêmen e dono da então maior empresa de construção do país.

Diz-se que a família bin Laden era muito religiosa e, desde cedo, Osama estudou profundamente o islamismo. Na juventude, seu interesse religioso passou a tomar proporções políticas, por influência de um de seus professores, Abdullah Azzam, que foi uma figura central no renascimento do movimento religioso pan-islâmico. Em 1979, Azzam fundou uma organização para lutar contra as forças soviéticas que invadiram o Afeganistão. Usando sua herança milionária, bin Laden tornou-se o maior patrocinador desta organização. Aos 22 anos, saiu da Arábia Saudita e foi para o Afeganistão, aonde se uniu aos americanos para lutar contra os soviéticos. Sua aliança com os americanos durou cerca de 10 anos.

No final dos anos 80, bin Laden fundou a al Qaeda, destinada a tomar parte de atentados contra os soviéticos. No começo dos anos 90, contudo, com a desintegração da União Soviética, bin Laden elegeu um novo inimigo: os Estados Unidos da América. Após a retirada dos soviéticos do Afeganistão, voltou então à sua terra natal, a Arábia Saudita.

Em 2 de agosto de 1990 começou a Guerra do Golfo, em que o Iraque invadiu o Kuwait. Um dos países que ofereceu ajuda ao país invadido foi a Arábia Saudita, para a qual os Estados Unidos enviaram suas tropas para agir na coalização contra o Irã. Este fato irritou Osama bin Laden, que havia oferecido os seus soldados ao governo árabe, oferta que foi negada. Foi então que seu novo alvo passou a ser os Estados Unidos, devido a presença de suas tropas na Arábia Saudita, país que abriga as terras sagradas islâmicas de Mecca e Medina. Esta situação causou atrito entre o governo árabe e bin Laden, o que culminou com a sua saída – e a de seus seguidores – para o Sudão.

Foi no Sudão que a al Qaeda começou a se transformar em uma rede terrorista, sob o comando de bin Laden e o financiamento da fortuna de sua família, que ainda ganhava muito dinheiro no ramo da construção, agricultura e exportação.

Para encurtar a história, o conflito entre a al Qaeda e os EUA foi se tornando cada vez mais acirrado, até que em 1997 Osama bin Laden declarou em uma entrevista à CNN uma guerra santa – Jihad – contra os Estados Unidos. Agora seu objetivo era formar um estado teocrático pan-islâmico. Para isso comandou a al Qaeda como se fosse uma empresa multi-nacional, com subsidiárias operando secretamente em dezenas de países, promovendo atentados, levantando fundos e recrutando jovens muçulmanos, incluindo crianças, para treiná-los no Afeganistão.

A conclusão desta história foram os atentados relatados no começo deste artigo e a fuga de bin Laden, que se encerrou ontem com a sua morte pelas forças armadas americanas no Paquistão.

Quais serão as conseqüências da morte de bin Laden?

Por um lado comemora-se a morte de bin Laden, como um marco importante contra o terrorismo islâmico. Por outro, temem-se retaliações do que sobrou da al Qaeda e de grupos que a apóiam. Impossível prever o que acontecerá agora. De todo modo, o fato dos serviços de inteligência americanos e paquistaneses terem conseguido descobrir a localização de bin Laden – o que já parecia improvável que acontecesse – demonstra uma vitória estratégia contra o grupo terrorista.

Para saber mais

Al Qaeda leader bin Laden dead, Obama says – Reuters

Osama bin Laden, the face of terror, killed in Pakistan – CNN

Morre Osama bin Laden, dizem redes de TV – G1


Gabriel Mallet Meissner

é editor da Revista Entremundos.


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