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“A esquizofrenia (do grego σχιζοφρενία; σχίζειν, “dividir”; e φρήν, “phren”, “phrenés”, no antigo grego, parte do corpo identificada por fazer a ligação entre o corpo e a alma, literalmente significa “diafragma”[1]) é um transtorno psíquico severo que se caracteriza classicamente pelos seguintes sintomas: alterações do pensamento, alucinações (visuais, sinestésicas, e sobretudo auditivas), delírios e ALTERAÇÕES NO CONTATO COM A REALIDADE. Junto da paranoia (transtorno delirante persistente, na CID-10) e dos transtornos graves do humor (a antiga psicose maníaco-depressiva, hoje fragmentada na CID-10 em episódio maníaco, episódio depressivo grave e transtorno bipolar), as esquizofrenias compõem o grupo das Psicoses”. (Wikipedia)
Eu amo modo como o Twitter e o Facebook (mais o primeiro que o segundo) quebraram a zona de conforto dos famosos e poderosos em geral. Ali é Terra de Ninguém e não importa o quão famoso ou poderoso alguém seja, se fizer bobagem por lá, será escorraçado sem dó nem piedade. Ainda estamos bem longe de alterações profundas no status quo, mas já conseguimos fazer algum barulho a ponto de incomodar. Algumas campanhas mais “micro” dão certo por ali e o porquê de coisas “macro” não darem certo AINDA é motivo para outro post.
De qualquer maneira, todos em geral tem que tomar certo cuidado com o que postam e opinam por aí. Atualmente é muito fácil localizar textos ou fotos de seu passado (distante ou não) e provar que algo que escreveu é contraditório. E depois de ter isso divulgado, até explicar que sua opinião na verdade mudou, é bem complicado. Até porque, na maioria das vezes, essas mudanças acontecem por motivos não muito louváveis, principalmente quando falamos de política.
Isolados em Brasília e vigiados de perto somente pela chamada Grande Mídia, os políticos em geral estavam acostumados a falar a sua versão dos fatos, vê-las reproduzidas em jornais, revistas e Tvs. Tinham no máximo que lidar com algumas respostas desfavoráveis, porém educadas, de seções de leitores por aí. Com o advento dos blogs e seu espaço para comentários, começaram a ver que muita gente não estava contente e a educação nem sempre é regra. Mas a pessoa tinha que acessar o blog e os comentários podem ser moderados, que limita a repercussão destas opiniões negativas quando “aprovadas”.
Com o Twitter e Facebook, isso mudou radicalmente. Agora meus seguidores e amigos podem postar e eu posso replicar qualquer comentário sobre alguém, seja ele positivo ou negativo, de maneira extremamente rápida e sem controle do alvo dos posts. Isso coloca muita gente graúda em situação desagradável. Acostumados que estão aos canais oficiais e de mão única, muitos são vítimas de uma das maiores leis do mundo virtual: “A Internet nunca esquece”.
Um dos exemplos mais incríveis disso eu vi acontecer com o político paulista José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Em 2011, o ditador líbio Muammar Khadaffi enfrentava forte oposição da população de seu país, com manifestações cada vez mais poderosas. A reação do ditador foi usar seu exército para reprimir os cidadãos da maneira mais violenta possível, causando dezenas de mortes.
Foi então que Serra, através de seu Twitter, comentou que o ex-presidente Lula era amigo de Khadaffi, tendo inclusive viajado com ele de avião mais de uma vez. Queria com isso provar que havia laços entre o PT e a ditadura libanesa. Pois bem, em menos de 15 minutos encontraram reportagens do próprio tucano adulando Khadaffi, quando Serra era Ministro da Saúde durante o governo FHC. Estava atrás de investimentos e parceria na área da saúde com o governo libanês, chegando inclusive a oferecer presentes ao ditador. Por que para Serra era errado Lula tratar bem Khadaffi quando ele havia feito o mesmo? Diante de apresentação da gritante contradição, Serra fingiu ignorar o fato de seu passado, mas não teceu mais nenhuma crítica à ditadura da Líbia e sua possível relação com o PT.
Depois da derrota na última campanha presidencial, o maior veículo de José Serra para se comunicar com o eleitorado tem sido Internet, através de seu Twitter e blog. Ali ele apresenta diariamente críticas ao governo federal e faz análises de diversos assuntos que considera pertinentes. O que Serra parece ter esquecido é que não somente seus eleitores se interessam por saber o que ele pensa e fala. mas muitos que não gostam dele também o fazem, no melhor estilo “conheça seu inimigo”. Eu mesmo sou um deles.
Então um político tem que ter cuidado como que posta, pois centenas de pessoas vão procurar contradições (das banais às mais sérias) e apontá-las no seu nariz. Não vou nem comentar dos famosos trolls, que só querem mesmo é fazer bagunça, mas sim daqueles que acompanham o que acontece Brasil afora e sabem do que estão falando. Não existe mais versão única de um fato. Então ou você banca sua posição custe o que custar ou volte a falar suas opiniões somente para a grande mídia.
Digo isso porque cansei de ver o Serra criticando a corrupção do governo federal e ignorando minhas indagações sobra a licitação fraudulenta da Linha Lilás do metrô paulista. Cansei de ver o Serra criticando o PAC e ignorando pedidos de explicações de porque em 20 anos de governo demo-tucano os investimentos em obras de prevenção de enchentes foi pífio. Não estou aqui dizendo que o governo petista não seja corrupto e nem que o PAC seja uma maravilha, mas acredito que quem cobrar algo de alguém deve dar exemplo.
Não só eu, como diversas outras pessoas cobravam explicações de Serra nesse sentido e ele nada fazia, respondendo somente as mensagens de carinho e afeto. E, se antes ele ignorava, com a proximidade das eleições municipais, o tucano pura e simplesmente saiu bloqueando diversas pessoas em seu Twitter. “O perfil é dele e ele pode fazer o que quiser”, dirão uns. “Ainda dá pra ver o que ele posta visitando o perfil dele”, dirão outros. Mas não é isso que estou discutindo.
José Serra é uma figura pública e política de alcance nacional. O que ele diz interessa a quem gosta e a quem não gosta dele. Como alguém que discute política (até mundialmente) quer escolher por critérios de afinidade quem pode receber na sua timeline suas postagens? Não é assim que a Internet funciona. Alguém que não aguenta ter suas contradições expostas está realmente preparado para governar São Paulo ou o Brasil?
“Ah, mas isso é no Twitter”, tentaram me falar. Não mesmo. Na recente disputa dentro do PSDB para ver quem seria o candidato a prefeito de São Paulo pelo partido, o ÚNICO que não participou de nenhum evento com a militância e que fez de tudo para impedir que um debate entre todos os pré-candidatos ocorresse foi José Serra. Ele ganhou as prévias com um resultado bem abaixo do esperado e tanto Serra quanto o PSDB se recusaram a divulgar os números regionais das eleições para a imprensa, alegando que isso era “assunto interno” do partido.
Cada vez mais os políticos se esquecem de onde emana seu poder e que eles governam para todos, gostem deles ou não. José Serra não é o único, mas sua atuação dentro da Internet só escancara aspectos que, por mais que ele tente, já não são mais possíveis de esconder. Ele ainda tem toda uma máquina partidária e da imprensa a seu favor para ajudá-lo em sua cruzada contra a realidade (alguém se lembra do papelzinho que arremessaram nele?), mas a Internet tem se mostrado terreno fértil para a derrocada tanto de ditadores quanto de maus políticos. Estamos bem longe do que considero ideal, mas é possível ver mudanças no horizonte.


