Brasil é 5o lugar em energias renováveis, mas não investe em tecnologias modernas

by Gabriel Mallet Meissner on 12 de Dezembro de 2011

Produção de energia limpa e renovável no Brasil é um tema que anima e desanima ao mesmo tempo. Enquanto avanços importantes estão ocorrendo, há também resistências inaceitáveis em um país que, embora ainda em desenvolvimento, já é uma das maiores economias do mundo. Em 2010, pela primeira vez na história, o mundo investiu mais em energias renováveis do que em energia fóssil, mostrando que as energias ditas “alternativas” são cada vez mais convencionais. O Brasil acompanhou essa tendência e foi confirmado pela ONU que somos o quinto país que mais investe em energia limpa.

Por outro lado, ainda há resistência em se investir pesadamente em tecnologias modernas como energia solar e eólica. Há vários possíveis motivos para isso, como custo-benefício (ainda é caro construir usinas solares e eólicas; embora este quadro esteja aos poucos se revertendo) e um processo burocrático complexo (em parte justificável, pois investir em energia exige uma grande responsabilidade). Isso sem contar os lobbies e a corrupção, eternas pedras no caminho para um real crescimento brasileiro.

“O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje.”

São as hidrelétricas e o biocombustível que mais contribuem para a nossa posição entre os maiores investidores em energia limpa, não fóssil. As energias eólica e solar, embora tenham crescido em nosso país, contribuem muito menos do que poderiam. Principalmente em se considerando que em nossas terras tropicais o potencial de geração de energia através destas tecnologias é muito maior do que na Europa, que investe nelas muito mais do que a gente. A título de comparação, lembremos que a energia eólica produz cerca de 950MW de eletricidade no Brasil, enquanto a Europa produz 86.000 MW…

Não sou especialista em energia, mas parece fazer sentido que depender excessivamente de uma fonte de energia, como a produzida por hidrelétricas no caso brasileiro, não é uma boa idéia. Especialmente mais em um país que ainda sofre risco de apagões. Não vamos esquecer do apagão que houve no começo deste ano de 2011, que deixou metade do país sem eletricidade. O qual o Ministro das Minas e Energia Edison Lobão minimizou dizendo que havia sido apenas uma “interrupção temporária de energia”, seja lá o que isso signifique – se é que significa alguma coisa.

Segundo Anne Miroux, coordenadora da equipe da ONU que produziu o relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis:

“O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje.”

No resto do mundo, quem mais investe em energias renováveis é a China. Um caso interessante, pois os chineses são os maiores poluidores do mundo. Talvez por isso mesmo seu governo tenha se dado conta de que reverter este quadro, mais do que uma questão de ser ecologicamente correto, é também essencial para a sobrevivência da sua economia. Leia mais sobre isso no artigo “China: de maior poluidor mundial a exemplo de desenvolvimento sustentável?“.

Acredito que está mais do que na hora do Brasil se mirar no exemplo chinês para fazer avançar a sua matriz energética. Claro que isso será realmente difícil com um ministro que chama apagão de interrupção temporária de energia que afirma que o recente vazamento de petróleo da Chevron não era um problema sério, pois o petróleo estava se espalhando para o lado oposto à costa brasileira… Nossa presidente Dilma Rousseff sempre fez questão de dizer que se guia por critérios técnicos na escolha de seus ministros. Esperemos que na reforma ministerial de janeiro do próximo ano ela ponha esta salutar teoria em prática e deixe de ser apenas mais um blá-blá-blá.

Saiba mais

Brasil é o 5o maior em energias renováveis – O Estado de São Paulo

Brasil não investe em energias renováveis modernas, diz ONU – Inovação Tecnológica

é editor da Revista Entremundos.

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