Como não educar seu filho e torná-lo homofóbico desde cedo

by Gabriel Mallet Meissner on 19 de Junho de 2012

“Bichas não vão entrar para o Céu.” Não é bonitinho, cute-cute, a gracinha da mamãe?

Preconceito não é natural. É uma (não) educação ensinada pela sociedade e, principalmente, pelos pais. O grande aliado do preconceito sempre foi a religião (e não somente a cristã). Nada mais efetivo do que justificar o ódio ao diferente alegando-se ser uma lei divina.

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Não importa que seja contraditório um deus misericordioso e do amor incondicional sancionar o preconceito, o ódio e a perseguição. Ninguém presta atenção nessa (falta de) lógica. Importante mesmo é apenas justificar o injustificável.

Claro que quanto mais cedo você (não) educar seu filho a ser preconceituoso e homofóbico, melhor. Hábitos (incluindo de pensamento) adquiridos na infância são sempre mais difíceis de reverter na vida adulta.

O vídeo abaixo foi gravado em uma igreja americana (provavelmente protestante – mas os créditos no Youtube não informam qual). Nele uma criança que ainda está aprendendo a falar canta os seguintes versos:

“Eu sei que a Bíblia está certa, alguém está errado

Eu sei que a Bíblia está certa, alguém está errado

Bichas não vai entrar para o céu.”

Claro que o salão cheio de adultos aplaude entusiasticamente e quase atinge um orgasmo tântrico múltiplo coletivo com uma simples demonstração de preconceito precoce. Nunca vou entender como adultos, pessoas supostamente com a cabeça formada, acham “bonitinho” uma criança fazer tal demonstração de ódio quando nem tem idade para entender o que está falando. Mas, como diz a música de Do The Evolution, do Pearl Jam, I can kill cause in God I trust (eu posso matar pois acredito em Deus). Quem pode matar em nome de Deus, pode qualquer coisa.

Via: Dangerous Minds

é editor da Revista Entremundos.

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