O discurso da professora Amanda Gurgel durante uma audiência pública sobre a situação da educação no Rio Grande do Norte foi um dos assuntos mais comentados no Brasil; ou pelo menos na República do Twitter, em que rapidamente se tornou trending topic. A repercussão tem sido grande e será ainda maior, agora que ela foi entrevistada no Domingão do Faustão para explicar melhor as suas idéias. O interessante de toda essa repercussão é que Amanda não falou nada que o Brasil inteiro já não estivesse careca de saber. Apesar disso, foi importantíssimo dizê-lo, pois são as constatações mais básicas e óbvias que tem sido, há décadas, ignoradas pelo governo brasileiro. E é a isso que a professora chama a atenção: vamos parar de tergiversar e ir direto ao ponto!
E qual é o ponto? O ponto é que a educação nunca foi prioridade do governo no Brasil. Que a situação precária e falta de estrutura são resultado direto deste descaso. Que coloca-se sobre os professores o peso de “salvar o Brasil”, sem lhes dar condições mínimas de trabalho nem salário digno. Que tendo que trabalhar em três turnos para ganhar o suficiente para viver, e lecionando em salas lotadas, é impossível dar atenção personalizada aos seus alunos, prejudicando demais o seu aprendizado. Que pede-se para os professores terem paciência e não serem imediatistas quando este é um problema urgente, que precisa de solução agora e não para daqui a 10 anos.
Acima de tudo, o ponto é que para mascarar a falta de vontade ou capacidade para se reformar o ensino público, o governo joga a objetividade para escanteio e não ataca o problema com propostas concretas e realizáveis. Enfim, nada que já não se soubesse. E esse é o ponto mais triste de todos: saber que o problema é claro e evidente, mas é tratado como se fosse obscuro e difuso.
Hoje ao final da entrevista para o Faustão, Amanda Gurgel aproveitou para lançar uma campanha nas redes sociais pelo aumento dos investimentos em educação. Pede que usemos no Twitter a hashtag #dezporcentodopibja, sugerindo que o governo deveria investir 10% do PIB brasileiro na educação. Marina Silva, quando candidata a presidente da República em 2010, fez proposta semelhante, defendendo o investimento de 7% do PIB na área. A Unicef, por sua vez, recomenda 8%. Contudo, o Brasil investe apenas 5%. Está mais do que na hora de mudar essa situação.
Abaixo, vamos rever o discurso da professora Amanda na audiência pública no Rio Grande do Norte e com a sua entrevista no Domingão do Faustão hoje.
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httpv://www.youtube.com/watch?v=aC3u_hxa4JQ
httpv://www.youtube.com/watch?v=4-lk0uex-Es
Gabriel Mallet Meissner
Editor da Revista Entremundos.








