Então O Pequeno Príncipe é um livro infantil, uma história bobinha para crianças, certo? É como costuma ser considerado e o que eu achava também. Quando o li, porém, percebi que a verdade era bem diferente. Este livro traz uma mensagem direcionada primariamente para adultos. E esta mensagem não apenas é interessante, como também necessária. Para quem ainda não leu, segue uma breve sinopse da história:
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A clássica história – e preferida das modelos em todo o mundo – de um piloto perdido no deserto e um menino vindo de um lugar distante. Juntos, eles compartilham diversas experiências, como aprender com uma raposa, observar a dança de uma serpente, cuidar de uma única rosa num num mundo de cabeça para baixo. (Fonte: Cine Menu)
Parece simples, mas não é simplório, ao contrário, o livro tem uma profundidade que instiga. A história tem como personagem principal uma criança, o Pequeno Príncipe, que em suas viagens pelo universo conversa com as “pessoas grandes” e simplesmente não consegue entendê-las. “As pessoas grandes são estranhas”, ele conclui repetidamente a cada encontro com um novo personagem, como o empresário, o geógrafo, o rei e outros. E sim, realmente estes personagens são muito estranhos: são ilógicos e incoerentes, valorizam o que não tem valor por si mesmo, não se dão conta da sua própria miséria existencial, são até mesmo obsessivos e neuróticos. E são desconfortavelmente parecidos a gente! Sim, pois somos “pessoas grandes” como eles e, tal como eles, estranhos, muito estranhos…
A força e a profundidade da mensagem do livro, na minha visão, é a de mostrar que, à medida que nos tornamos adultos, nos distanciamos da naturalidade com que a criança encara a vida. Deixamos de valorizar o que é realmente essencial no mundo e nos desnaturalizamos, focando toda a nossa atenção e energia em artificialismos criados culturalmente e que não existem naturalmente, tais como: o sentimento de posse/ apego (representado pelo empresário), o status (o rei), o falso conhecimento adquirido pelo relato de terceiros, substituindo a vivência própria (o geógrafo) etc. Ultimamente tenho pensado que “tornar-se adulto” é quase sinônimo de “adulterar-se”, enfim, alienar-se de si mesmo (ainda vou escrever um post sobre isso).
A vida adulta frequentemente se transforma em uma prisão da nossa percepção e atenção. Toda a nossa “energia perceptiva”, se podemos falar assim, é sugada para objetos que consideramos importantes e vitais, embora, de fato, não existam realmente. E quem nos resgata desta prisão é O Pequeno Príncipe, com sua percepção da vida ainda imaculada, livre das influências alienadoras da sociedade. É ele que, com sua iluminada ingenuidade, nos ajuda a perceber que vivemos na Caverna de Platão e atua como um guia que mostra que, sim, há um outro mundo lá fora, que um dia nos foi familiar e hoje nos parece uma terra estranha e inexplorada. E não apenas isso, mas também que vale a pena visitar esta terra de tempos em tempos, para que não nos esqueçamos dela e não nos deixemos ser inteiramente dominados por forças estranhas e externas a nós mesmos.
Realmente, um livro para crianças, heim?
Este post não é exatamente uma análise do livro, mas apenas algumas impressões gerais jogadas na tela. Para análises mais profundas, aconselho a leitura dos textos abaixo:
Uma breve análise sobre O Pequeno Príncipe
Puer Aeternus, de Marie-Louise Von Franz
E se você ainda não leu O Pequeno Príncipe, não perca tempo. Você pode comprá-lo pelo Submarino, clicando aqui.
O livro também foi adaptado para filme em 1974, em uma produção tendo Gene Wilker como ator principal. Ele também pode ser comprado pelo Submarino neste link.
Sim, eu ganho uma comissão por isso (8%). Mas vai por mim, este é um dos livros essenciais que deveria estar na biblioteca de qualquer pessoa. Não é à toa que este é o 3o livro mais traduzido do mundo.
Abaixo, veja a ficha técnica do livro:
Título original: Le Petit Prince
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Ano de publicação: 1943
Escrito originalmente em: francês








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Realmente uma ótima leitura! Recomendo!
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