O mundo é bárbaro! Certo? Mas o que isso quer dizer? No dicionário, Bárbaro pode significar admirável e espantoso. Ou então incivilizado, cruel e desumano. De fato, o mundo é um misto disso tudo. E em seu último livro, minha leitura da última semana, Luís Fernando Veríssimo se espanta e admira com o barbarismo que há no mundo.
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O Mundo é Bárbaro e o que nós temos a ver com isso desafia a pensar naqueles temas que parecem não ter a ver com o nosso dia-a-dia, o nosso café com leite, mas têm. São uma série de pequenos e concisos ensaios sobre diferentes temas como a teoria de Stephen Hawking sobre os buracos negros, o neoliberalismo, a questão racial e a ascensão da China e da Índia, instigando a repensar nossas opiniões sobre a vida e o mundo.
Como sempre, Veríssimo é conciso e sagaz. Com ironia e inteligência – nesta ordem ou não – faz pensar e rir, nesta ordem ou não. A cada ensaio nos força a ver o mundo por outro ângulo, a considerar um assunto que antes não parecia relevante, mas que se torna importante para um raciocínio maior e mais abrangente. E assim torna claro e evidente – principalmente, mas não apenas – as falhas humanas e como elas constroem um mundo bárbaro. E isso, sempre de maneira divertida e com muito bom senso.
Leiamos alguns trechos excepcionais:
”Como seria se os holandeses tivessem derrotados os portugueses e colonizado todo o Brasil? Para começar, nossos padrões de beleza seriam completamente outros. Em vez de morenas, nossas mulheres seriam loiras de cabelo escorrido, e a brasileira mais conhecida no mundo seria alguma longilínea do tipo nórdico, chamada Gisele ou coisa parecida. Nem dá pra imaginar.”
”Outro dia ficamos sabendo que o Stephen Hawking voltrou atrás na sua teoria sobre os buracos negros, aqueles furos no Universo em que a matéria desaparece. Nem eu nem você entendíamos a teoria, e agora somos obrigados a rever nossa ignorância: os buracos negros não eram nada daquilo que a gente não sabia que eram, são outra cosia que a gente nunca vai entender.”
”É difícil imaginar um negro como Barack Obama sendo eleito presidente – do Brasil. Dos Estados Unidos, talvez. Lá, um negro já chegou a secretário de Estado, e foi substituído no cargo por uma negra. Desculpe: afro-descendente. Pelo menos não escrevi “um negão como Barack Obama”, ou, para mostrar que não sou racista, “um negrinho”. A diferença entre um país e outro é essa. Lá, o racismo é uma questão racial. Aqui, uma ficção de integração dilui a questão racial. E se a questão não existe, se ninguém é racista, por que nos preocuparmos com denominações corretas ou incorretas? Só quando a ficção é desafiada, como no caso das cotas universitárias, é que aparece o apartheid que não se reconhece.”
”Confesso que gosto da rainha Elizabeth, que, se entendi bem, o que eu duvido, colocou um blog, ou coisa parecida, seu na internet. Ela parecia exercer seu reinado com placidez e um toque de tédio, de quem gostaria mesmod e estar com os seus cavalos, embora às vezes seja difícil saber se alguém está chateado ou apenas sendo inglês em público.”
Se você, como eu, já gosta das crônicas do Veríssimo, com certeza vai gostar tanto quanto deste livro. E como os textos são curtos, é do tipo que se lê bem nos horários vagos (antes de dormir, no ônibus etc.) e se devora com gosto e prazer rapidamente.
E, claro, você pode comprar este livro através do Submarino, só clicando aí na foto do livro. Assim a troca é justa: você ganha uma leitura divertida e eu ganho 8%.



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