Como ser um consumidor consciente questionando os produtos e as marcas que consumimos

by Gabriel Mallet Meissner on 15/12/2008 · 2 comments

in Assuntos atuais


Esta é a primeira postagem de uma série de cinco que irei publicar esta semana para contribuir com a Blogagem Coletiva do Consumo Consciente, promovido pela Sam Shiraishi, do blog A Vida Como A Vida Quer. De segunda a sexta, a cada dia, irei postar um artigo novo sobre o assunto.

É muito gostoso consumir produtos que nos dão prazer. Uma roupa nova, uma barra de chocolate, um livro interessante. Ao consumir, geralmente a única coisa que nos passa pela cabeça é o benefício que aquele produto nos trará. Mas será que este prazer em consumir é a única coisa em que deveríamos pensar? Infelizmente para todos nós, consumidores hedonistas, não é. Consumir envolve mais do que a busca hedônica do prazer. Envolve também o impacto que este consumo causa no planeta.

Buscar o equilíbrio entre a satisfação pessoal e a responsabilidade ambiental é ser um consumidor consciente.

Para entender a importância disso, reflita comigo: antes de um produto chegar às suas mãos, qual foi a trajetória dele desde a sua produção até a prateleira? E qual será a sua trajetória após você o usar e descartar? Quais serão as conseqüências destas duas trajetórias? Já parou para pensar nisso? Se já, parabéns. Caso contrário, está na hora de começar a pensar. Isto é muito importante. Por quê? Por causa do que deixa claro a matéria de capa da edição 515 da revista Época:

“Os produtos que compramos no dia-a-dia deixam um rastro duradouro no planeta. O plástico que jogamos fora leva milhares de anos para se degradar. Muitos alimentos vêm de áreas de desmatamento. Nossas compras rotineiras envolvem uma cadeia de lojas, indústrias, transportadoras e agricultores que despejam na atmosfera até 77% dos gases que estão mudando o clima da Terra.”

Se uma grande massa de consumidores começarem a consumir conscientemente, o impacto benéfico sobre a sociedade e o planeta poderá ser enorme, decisivo mesmo para a sustentabilidade. Na mesma matéria da edição citada da revista Época, há duas citações de Hélio Mattar, diretor do Instituto Akatu, que diz:

“O consumidor pensa que só destrói o planeta quando acende a luz ou anda de carro. Ele esquece as compras.”

“Ao fazer boas escolhas, nós influenciamos uma cadeia de indústrias e fornecedores cuja política ambiental determina o futuro da vida no planeta.”

Qual tal fazer parte disso? Parece uma boa idéia, não é?

Então vamos lá: como podemos ser consumidores conscientes? O primeiro passo é se conscientizar do problema, saber que isto não apenas uma moda passageira: é uma necessidade premente para a sobrevivência do planeta.

Estando conscientizado, há uma série de práticas que você pode adotar no seu consumo para contribuir com esta questão. Nesta postagem, falarei sobre três delas.

1 -- Informar-se sobre as empresas e marcas dos produtos que consome e questioná-las

Esta é a primeira ação. Toda empresa só existe devido ao lucro gerado pelos seus consumidores. Se os consumidores pararem de comprar os seus produtos, elas deixarão de existir. De modo que nós, consumidores, temos em nossas mãos o poder para influenciar o rumo das ações relacionadas à sustentabilidade de todas as empresas cujos produtos consumimos. p>

Hoje em dia, muitas publicações impressas e online escrevem matérias sobre as chamadas “empresas verdes”. Empresas conhecidas por tomarem ações ambientais reais. Da mesma maneira, também vemos nestas publicações, matérias denunciando empresas que fazem o contrário. Privilegie as empresas que são reconhecidamente verdes e deixe de comprar aquelas que sabemos que fazem mal ao planeta.

Para isso, será necessário um pouco de pesquisa e engajamento, sim. Mas, acredite, vale a pena!

2 – Tomar cuidado com a “maquiagem verde”

Hoje em dia, quase toda embalagem de produto vem com algum argumento ou rótulo ecológico. Muitas vezes, estes argumentos são ambíguos ou não se pode comprovar a sua veracidade e isso pode induzi-lo a erro.

Por exemplo, muitos produtos vêm com a palavra “natural” no rótulo e você se vê impelido a comprá-lo por achar que é “orgânico”. Algumas latas de atum afirmam que a sua pesca de atum não matou nenhum golfinho, o que não pode ser comprovado sem fiscalização.

É sempre bom questionar e investigar a veracidade destas afirmações. Isso, claro, também exigirá pesquisa e envolvimento da sua parte, mas é importante para não sermos seduzidos por falsas promessas.

3 -- Atenção aos selos de qualidade

Atualmente, existem institutos que fiscalizam o processo de produção de empresas diversas, para atestar se este processo é de fato sustentável ou não. As empresas consideradas sustentáveis recebem um selo de certificação do instituto, que aparece no rótulo de seus produtos.

Dar preferência a produtos com selos de qualidade confiáveis é uma excelente maneira de ser um consumidor mais consciente. Claro que aí entra a outra questão: como saber se aquele selo realmente é confiável? Então temos novamente que nos informar sobre eles, para saber se o processo de certificação é sério.

O Instituto Akatu criou uma lista de selos de qualidade que dá para confiar. Você pode conhecê-los clicando aqui.

Claro que estas são apenas algumas das muitas ações que podemos tomar para sermos consumidores conscientes. São boas maneiras de começar, mas há muito mais. E para saber o que é esse muito mais, indico o site do Instituto Akatu, que já citei aqui. Nesta página e nesta outra eles explicam direitinho tudo o que você precisa saber sobre isso. Leia e não se arrependerá!

Agora aproveite que já chegou até aqui e veja este vídeo produzido pelo Instituto Akatu sobre o consumo consciente:

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