(In)tolerância religiosa tem sido um tema recorrente neste blog. O motivo principal disso é eu ter a firme convicção de que pode haver convivência pacífica e respeitosa entre praticantes de diferentes religiões. Mesmo sabendo de inúmeros casos atuais de discriminação e perseguição religiosas (veja aqui e aqui), especialmente contra religiões afro-brasileiras, tenho esta convicção e acredito ser esta uma bandeira que vale a pena levantar e defender. O vídeo abaixo é uma prova de que é possível haver tolerância e diálogo, mesmo entre umbandistas, candomblecistas e evangélicos.Este discurso foi feito pelo Reverendo Marcos Amaral, representante da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá, durante a Caminhada pela Liberdade Religiosa, que aconteceu em 21 de setembro de 2008, no Rio de Janeiro, reunindo pacificamente umbandistas, candomblecistas, católicos (com apoio da CNBB), Hare Krishnas, judeus, entre outros. Veja:
Veja também
Das declarações do Reverendo, destaco as seguintes:
“Todo tipo de intolerância, de discriminação, de perseguição, confrontação, não é cristianismo.”
“Se você encontrar algum religioso que se diga cristão, que lhe discriminar, você pode dizer isto: ‘você não é cristão´”.
Isto é lindo vindo de um representante da religião do amor universal, que freqüentemente é deturpada transformando-se na religião do ódio, do medo e da intolerância. Nestas falas, vê-se que ainda é possível uma forma mais pura de cristianismo, mais ligada aos ideais de paz, de amor, de comunhão, os quais nunca deveriam ter sido deixados a segundo plano -- ou mesmo totalmente desconsiderados -- por tantos segmentos do cristianismo. Em especial por tantas igrejas neo-evangélicas, que diferem muito do evangelismo original, melhor representado por igrejas como a Presbiteriana e a Batista.
Claro que todo avanço não é realizado sem uma tentativa de retrocesso, como mostra esta carta de repúdio à caminha pela liberdade religiosa, escrita pela Defesa Católica, criticando a louvável decisão da CNBB de dar apoio a esta iniciativa. Ainda há quem deseje que voltemos à Idade Média e não me espantaria se tais pessoas fossem favoráveis a literalmente queimar na fogueira todos que seguissem religiões diferentes da sua, se a lei assim os permitisse. Enfim, enquanto só me cabe elogiar a CNBB, só me restar lamentar pelas palavras da Defesa Católica, recheadas de ódio, intolerância e desinformação.


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Muito boa a matéria, pois devemos respeitar as pessoas e se quisermos ganha-las para o nosso cunho religioso, que seja por amor.
Como disse o teólogo Jürgen Moltmann em sua recente viagem ao Brasil, o diálogo inter-religioso não deve ter a finalidade de conversão, mas sim de retirar os preconceitos (porque o diálogo nos leva a conhecer o outro) e de nos alegrar pela dignidade da diferença.
O próprio Cristo deixou claro que só há um caminho, o amor…
E isso bastaria.
Legal sua abordagem. Sou evangélica, mas ultimamente quase não confesso isso por causa da loucura religiosa que vivemos.
Graça e paz pr’ocê!!!