Católico não-praticante é algo como prostituta celibatária

by Gabriel Mallet Meissner on 11/06/2008 · 13 comments

in Assuntos atuais


Nunca entendi esse negócio de católico não-praticante. Parece algo parecido com prostituta celibatária. Não faz sentido. Como pode a religião estar separada da prática religiosa? Religião para mim, qualquer que seja ela, sempre me pareceu ser algo que se faz e não algo que se diz. Senão, é apenas rótulo.

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A impressão que tenho é que católicos não-praticantes são pessoas que não têm religião, mas temem admitir isso. Nasceram em família católica, foram batizados, talvez crismados, mas tudo isso como formalidade. Não possuem convicção na fé católica (e nem são obrigados a ter, obviamente), mas se admitirem isso e disserem que, no fundo podem até acreditar em Deus e em Jesus (ou mesmo não acreditar), mas não são católicos, não vão mais agradar o papai e a mamãe.

O problema é que grande parte do mundo ainda não consegue sequer conceber a possibilidade de não se ter religião. Lembro de um episódio de quando eu tinha uns catorze anos e disse na escola que era ateu. Quase ninguém entendeu o que eu estava dizendo e quem entendeu, ou deu um risinho ou ficou desconfiado. E um amigo me pediu para explicar o que era isso. Quando falei o óbvio, que ateu é alguém que não acredita na existência de Deus, ele me perguntou:

- E o nome dessa religião é “ateu”?

Ele simplesmente não conseguia compreender a idéia de um indivíduo não ter crenças ou aderir a uma denominação religiosa. E muita gente ainda não consegue.

Em outra ocasião, uns primos descobriram que eu não acreditava em Deus.

Imediatamente, a notícia se espalhou para outros primos e uma prima veio me questionar sobre isso. E perguntou, preocupada:

- Você não ouve uma voz te dizendo pra não fazer algo quando quer fazer algo errado?

E eu, com toda a honestidade de uma criança (pois eu era ateu desde criancinha, acho que desde o ventre materno mesmo), respondi:

- Não…

Daí que a pessoa que não consegue concebê-lo e também não têm convicção na fé que diz professar, declara-se católico não-praticante, budista não-praticante, ou qualquer-outra-coisa-não-praticante. Não seria apenas mais honesto simplesmente dizer: “não tenho religião?”

Porém, por condicionamentos que são impostos pela nossa sociedade, pelas nossas famílias e todos que nos cercam, admitir não ter religião soa como algo “errado”, de que deveríamos nos sentir envergonhados.

Hoje não sou mais ateu, tenho minhas convicções, não diria religiosas, mas espirituais, consideradas talvez pouco convencionais. E religião pra mim é prática, não é discurso. É algo que se faz, não que se diz e que se pensa. Não é nem ao menos algo que se sente, pois o sentimento deve ser concretizado em ato para ser alguma coisa.

Minha opinião é simples: ou você tem uma religião e a pratica ou não tem religião alguma, admita isso ou não. Claro, há níveis e níveis de envolvimento religioso e não é preciso ter o envolvimento de um sacerdote para ser religioso. Mas se o cara é católico, que pelo menos vá à missa e reze o Pai-Nosso. Se é budista, que ao menos medite um pouco e entoe um mantra.

O mundo não precisa de mais rótulos. Precisa de liberdade. A liberdade de cada um admitir ser aquilo que é: ateu, católico, macumbeiro, evangélico, agnóstico, budista, whatever, e sentir-se bem com isso, sem achar que está devendo algo a quem quer que seja.


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Entremundos » Alan Watts – Sobre Deus
13/12/2009 às 12:40 PM

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1 Eliete 11/06/2008 às 2:27 PM

Católico-não-praticante virou nome de religião? Desde quando?
São pessoas que teem vergonha de falar que não tem religião.
Vou repassar pelo hotmail, pois conheço vários católicos-não-praticantes.

Responder

2 Natália 11/06/2008 às 8:35 PM

Muito bom seu texto! Penso assim também. Fui criada como católica, mas lá pros 14 anos decidi que ser católico só de nome não é ser católico. Quando falei pra minha mãe que era ateia (tá certo isso?) ela virou e disse “você é católica SIM” hauhaha
Acho que se for pra ter uma religião você tem que ser fiel a ela (o que não significa ser fanático, claro).
Hoje em dia também tenho lá minhas convicções espirituais, mas sem necessariamente uma religião.

Mais uma vez, gostei muito do texto
uma boa semana :*

Responder

3 MoorpheuSs 12/06/2008 às 4:31 AM

Acredito em Deus, mas não tenho religião. Já frequentei (forçado é verdade…) a Igreja Católica e não gostei dos métodos repetitivos – ficar lendo textos e blá, blá, blá, de um padre que resmungava palavras em um dialeto ininteligível.

Com certeza, quando crianças, muitos frequentam a igreja por determinação dos pais, mas não visualizam nada de relevante para si mesmos naquele ambiente.

Acredito que para haver contato com Deus, não há necessidade de religião, por si só, isso é possível.

Muita gente diz ter religião, mas na verdade, não pratica nada dos preceitos religiosos, apenas se esconde atrás da mesma, devido a cobrança social.

Responder

4 root 12/06/2008 às 10:55 AM

Acho que “não ter religião” e ser “????? não protestante” (preencha com qualquer religião) são coisas diferentes ainda.

Para afirmar que não tem religião, é preciso ter pensado no assunto, raciocinado e chegado à conclusão que não deseja seguir religião alguma.

Quem simplesmente adota o sufixo “não praticante”, deixou de seguir as regras de uma religião e nunca pensou sobre o assunto. A situação é muito pior.

Ainda mais quando religião é algo que produz guerras, conflitos e morte, nunca pensar sobre o assunto é como nunca raciocinar sobre ser a favor ou contra a proliferação de armas nucleares.

Abraços

Responder

5 Dorly Neto 25/06/2008 às 4:12 AM

Clap, clap, clap, clap.

Gostei muito de seu texto e queria fazer umas considerações.

Sofro de algo bem parecido que você, mas o meu não é pelo fato de se declarar ateu, e sim pelo fato de rejeitar qualquer tipo de rótulo.

Outro preconceito que sempre sofro é o de afirmar que penso que nenhuma religião é correta, e que a palavra “religião”(como várias outras em nossa sociedade) foram corrompidas e deturpadas pela nossa ganância e inveja, fazendo assim o seu significado mágico e divino serem perdidos.

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6 Hanny 25/06/2008 às 6:51 PM

Gostei muito do seu texto!
Por muito tempo me considerei católica não – praticante. Até fiz 1ª comunhão quando era pequena, mas depois de um tempo parei de ir na missa, frequentar igrejas, e etc.
E hoje depois que assumi que não tenho religião, mas também não me considero atéia, consigo ter uma visão mais ampla de todas as religiões… Converso muito com o meu namorado(Dorly Neto :D)sobre esse assunto, e penso em “Deus” de um jeito diferente do que a religião diz ser o ideal. Penso mais como uma força espiritual mesmo, não tem nem como escrever aqui ^^
O fato é que agora me sinto mais confortável em relação a outras religiões do que quando me considerava católica por influência da minha mãe. Aliás ela é uma que se diz católica mas nao vai a missa desde quando eu parei de fazer catequese… =P

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7 Anonymous 26/06/2008 às 1:45 AM

Costumo dizer que sou CRISTÃ.
Comungo dos ensinamentos de Cristo, mas não FREQUENTO nenhum templo de nenhuma religião, o que é absolutamente diferente de dizer que não PRATICO nenhuma religião. Muito pelo contrário.
Viver , no dia a dia, os ensinamentos da sua crença, é muito mais útil para a pessoa e p/ a sociedade do que frequentar um templo, culto, o q for, depois sair de lá se achando “com seu dever cumprido” e viver a vida do jeito que bem quiser, muitas vezes em total contradição com os ensinamentos de sua religião ou seita.

Responder

8 Melissa 24/12/2008 às 7:06 AM

Vc só dfalou dos católicos!! E aqueles que foram criados em outra religião, acreditam e Deus mas não praticam a religião ensinada??? E se ouver um ponto em comum com a conduta daqueles que acreditam em Deus (ou em Alá, Yvanhoe, entre tantos outros nomes…mas em comum a crença duma força superior) e não praticam a respectiva religião?? O que fazem estes??? É a fé que move montanhas e não Deus!! Seja a fé em qualquer força, seja ela superior ou seja ela em si mesmo, ela precisa, necessita, dve ter uma doutrina, uma disciplina!! A fé concentrada e FOCADA, move montanhas!! E talvez seja esse o “X” da questão!! Enfim, qualquer que seja o fim, a fé precisa de uma disciplina para ser mais eficaz!! Então, não acuse somentes os católicos de acreditarem em Deus e não na doutrina que lhes foi ensinada!! Tem muita gente que exerce mais o dever ser das coisas, do que muitos ditos crentes em Deus(seja qual religião).

Responder

9 Melissa 24/12/2008 às 7:14 AM

Ai gente!! Matei o português!!! Aqui seguem as devidas correções:
Vc só falou dos católicos!! E aqueles que foram criados em outra religião, acreditam e Deus mas não praticam a religião ensinada??? E se ouver um ponto em comum com a conduta daqueles que acreditam em Deus (ou em Alá, Yvanhoe, entre tantos outros nomes, mas em comum a crença duma força superior) e não praticam a respectiva religião?? O que fazem estes??? É a fé que move montanhas e não Deus!! Seja a fé em qualquer ente, força, seja ela superior ou seja ela em si mesmo, ela precisa, necessita, requer uma doutrina, uma disciplina!! A fé concentrada e FOCADA, move montanhas!! E talvez seja esse o “X” da questão!! Enfim, qualquer que seja o fim, a fé precisa de uma disciplina para ser mais eficaz!! Então, não acuse somentes os católicos de acreditarem em Deus e não na doutrina que lhes foi ensinada!! Tem muita gente que exerce mais o dever ser das coisas, do que muitos ditos crentes em Deus(seja qual for a religião).

Responder

10 Gabriel Meissner 24/12/2008 às 11:36 AM

Melissa, citei os católicos apenas como um exemplo. E se você ler o texto até o final, verá que falo das outras religiões também. Por exemplo: “Daí que a pessoa que não consegue concebê-lo e também não têm convicção na fé que diz professar, declara-se católico não-praticante, budista não-praticante, ou qualquer-outra-coisa-não-praticante. “

E não estou acusando os católicos de nada. Estou fazendo uma reflexão sobre a idéia de ser um “não-praticante” de qualquer religião que seja, o que não faz sentido para mim. E que acho que as pessoas que se declaram não-praticantes o fazem porque, por um condicionamento social, acreditam que têm o dever de se declarar parte de uma denominação religiosa quando, na realidade, todos são livres para não ter religião alguma, se assim o desejarem.

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11 Julio 15/02/2010 às 10:20 AM

a religião por si só não traz nada, mas o homem pode usá-la para ter comunhão com Deus, não apenas para um dia encher o peito e dizer “eu sou católico”, “eu sou evangélico”, “eu sou….”..

hoje eu sou evangélico, minha mãe é católica…temos pensamentos completamente diferentes sobre muita coisa. Mas isso não importa.

agora a questão da pessoa se dizer “não praticante”..é porque não tem religia alguma.
Existe fumante não praticante??

V0cê só é alguma coisa quando a pratica, quando vive.

Gabriel Mallet Meissner Reply:

Julio, o exemplo que você deu do fumante não praticante é perfeito!

Realmente, na maior parte das vezes a religião é apenas um rótulo que a pessoa usa, não uma convicção, fé ou estilo de vida. Para mim, não existe religião sem prática, isso é impensável.

Obrigado pelo seu comentário!

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